sábado, 28 de janeiro de 2012

Jornalista cega critica desigualdade em concursos públicos

Olá amigos,

Retomando nossas atividades do blog, compartilho o vídeo gravado pela atriz e jornalista Danieli Haloten, que apresenta as dificuldades e stress que a pessoa com deficiência enfrenta ao prestar um concurso público.

Danieli, que ficou conhecida interpretando Anita em “Caras & Bocas”, na Globo, afirma estar cansada de ter de lutar por algo que é direito seu: condições adequadas de provas e outros.

Abaixo, segue o vídeo. Conto com a opinião dos amigos leitores.

Assista ao vídeo

Danieli Haloten
Atriz e jornalista
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Adeus ao amigo Giovani Machado

Com 39 anos de idade, Morreu na tarde de hoje (sexta), o presidente da Sociedade Cultural Amigos do Centro Braille da Fundação Cultural de Blumenao, professor de informática adaptada para pessoas com deficiência visual e militante do movimento nacional de cegos, Giovani Machado.

O atropelamento por um ômibus, ocorreu na quinta-feira (22/12) às 7h50min, enquanto o professor attravessava a faixa de segurança da Rua das Palmeiras, movimentada avenida do cemtro de Brumenau (Santa Catarina), município onde residia e trabalhava.

Em depoimento para o clicRBS, Dione Machado Duarte (Irmã de Giovane), afirmou: “ele fazia o mesmo trajeto há 10 anos e sempre com muito cuidado.” “Ele ficou cego com 10 anos, por causa de um glaucoma, e aprendeu a andar para todo lugar sozinho, tanto que viajou para a Suécia para divulgar um livro em Braile.” Concluiu: “O Giovani conhece Blumenau melhor do que nós que enxergamos.”

Ao escrever esse triste post, recordo que há exatos 15 dias, participava juntamente com o amigo Giovane, de um grande evento de pessoas com deficiência visual no município de Criciúma, e da alegria e leveza que nosso companheiro transmitia. Ali, em uma de minhas palestras, falei que muitas vezes, para um líder e protagonista, sair de cena representava grandeza e sabedoria. No caso em questão, foi tudo involuntário e o Amigo não teve a oportunidade de dar-nos seu adeus e nem pode ouvir o quanto era importante para nós todos, mas estará presente no coração de cada um de nós, que tanto o admirávamos.

Abaixo, compartilho como simples lembrança, mas sincera homenagem, gravação de uma que penso tenha sido a última palestra de nosso amigo que agora descansa em paz.

Palestra Giovane


Mídia x inclusão e acessibilidade

Os amigos leitores que por aqui passam de forma mais constante bem sabem que frequentemente estou envolvido em ações midiáticas em TVS, rádios, jornais, revistas e outros, geralmente, versando acerca da inclusão, acessibilidade e respeito à diversidade humana. Já aqueles que tiveram a oportunidade de assistir minhas palestras sobre protagonismo da pessoa com deficiência me ouviram falar acerca da importância de nos apropriarmos de forma ética dessa mesma mídia, no sentido de fazermos com que a informação concernente a realidade das minorias chegue de forma correta até a sociedade, já que tais meios de comunicação, geralmente propagam a exclusão, criam tendências, determinam modelos ideais e não raramente causam uma sensação de incompletude intelectual, econômica, social ou estética.

Ontem (13/12/2011), coincidentemente a 5 anos exatos da aprovação do texto final da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, recebi o convite de uma agência publicitária para ser a personagem de uma peça de uma campanha de uma montadora de veículos. Como sempre faço, antes de qualquer coisa, solicitei informações acerca do roteiro e objetivo da campanha para assim analisar se era ou não de meu interesse participar, quando a empolgada publicitária começou a discorrer sobre a inovadora sacada de marketing, a qual em primeira mão compartilho com todos vocês:

“Um homem sego, caminha por uma movimentada calçada. Pessoas passam rapidamente por ele, quase o derrubando. Na mesma sequência, o “protagonista” se depara com dejetos, quase cai em um bueiro, é colhido por um skate e se não bastasse tanta desgraça de uma só vez, também quase é atropelado por uma bicicleta.” No desfecho da peça, surge a pergunta e reflexão: “Isso tudo não parece perigoso para você? Quando você fala no celular ou manda SMS quando está ao volante, Corre o mesmo risco.”

É claro que aceitar a proposta para gravar tal comercial em muito colaboraria economicamente com as festas e minhas férias de fim e início de ano, mas, sobretudo iria de encontro com minha experiência e discurso acerca da inclusão da pessoa cega e com baixa visão; minhas convicções nunca estiveram à venda. Assim, agradeci o convite, falei que pessoalmente penso que a idéia não seja de bom tom e que desta forma prefiro me abster de gravar, não sem antes tentar passar algumas orientações acerca do cotidiano da pessoa com deficiência visual e de uma abordagem mais positiva, que certamente não serão consideradas.

É quase certo que outra pessoa cega que pense diferente e que motivada por suas necessidades e razões pessoais venha a aceitar tal trabalho – e a mim caberá respeitar. Porém, não posso deixar de expressar e de compartilhar com todos vocês minha frustração com o fato que, infelizmente, em muitas situações, pessoas com deficiência ainda são exibidas em uma vitrine e que conceitos equivocados continuem caindo como referência no senso comum, indo de encontro a tudo que fora conquistado ao longo da história da pessoa cega ou com baixa visão. De minha parte, continuo acreditando que caiba a cada um de nós, desempenhar o papel de agentes de transformações sociais e de transformação do discurso em prática.

Nas Ciências Sociais, alguns autores afirmam que a mídia é o olhar do olhar do outro, aquilo que é captado pelo olhar das câmeras. No caso em tela, penso que não seria equivocado acrescentar que também é ela, o meio que desfoca o cotidiano e a potencialidade de diversos seguimentos de pessoas.

Em tempo, reconheço a importância de qualquer campanha de conscientização, sobretudo quando se fala em trânsito, em um país no qual anualmente milhares de pessoas perdem suas vidas ou ficam com sequelas. Também reconheço que como pessoas com deficiência visual, comumente nos deparamos com algumas barreiras atitudinais e urbanas, e que quase sempre tiramos todas elas de letra; mas colocar todas essas dificuldades em um único pacote e apresentar de forma equivocada, em nada acrescenta enquanto informação real para a sociedade.

Por Beto Pereira