Nomeado primeiro desembargador cego do Brasil
Prestou o vestibular ouvindo as perguntas gravadas e escrevendo as respostas, ingressou no Curso de Direito do Largo São Francisco, onde no 3º ano perdeu o pouco da visão que tinha e quando poderia pensar em parar, sabiamente optou por concluir o curso e foi além, fazendo mestrado na USP e doutorado na Universidade Federal do Paraná.
No início da carreira em um escritório de direito trabalhista, teve de custear por conta própria seus auxiliares ledores e sentia que muitos criavam dificuldades quando pleiteava novos horizontes profissionais, até que recebeu o convite do juiz Osvaldo Freus do Tribunal do Trabalho de Campinas, com quem esteve como Assessor.
Há 17 anos, quando passou em um concurso público na Procuradoria do Trabalho do Paraná, o Doutor Ricardo Tadeu mostrou, tanto durante o período probatório e sempre, sua grande aptidão e competência para o cargo de procurador, no qual atuou na causa da pessoa com deficiência e mobilidade reduzida e no combate da exploração do trabalho infantil, dentre tantas outras.
Com alguma dificuldade para andar, movimento dos braços recuperados e uma mente brilhante nos mostra, como poucos, com sua persistência e vida dinâmica, que outros sentidos são capazes de compensar a falta da visão e oferecer inúmeras possibilidades de percepção de coisas, fatos e ,sobretudo, de pessoas.
Passados 20 anos de sua reprovação no concurso para juiz do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo pelo único fato de sua deficiência visual e depois de tantas outras dificuldades que teve de superar, ontem Ricardo Tadeu Marques da Fonseca foi nomeado desembargador do TRT do Paraná, tornando-se o primeiro magistrado cego de nosso país.
**Nota: Parabéns Doutor Ricardo. Sua conquista, de certa forma também é de todos nós deficientes e dos que trabalhamos na causa da inclusão.
