quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Participamos de evento de inclusão da Escola Louis Braille de Pelotas

Dos dias 14 a 16 de setembro, tive a imensa alegria em participar como um dos palestrantes da Laramara no Seminário Deficiência Visual e as Múltiplas Deficiências: Um mundo a ser descoberto, realizado nas dependências da Universidade Católica de Pelotas, Rio Grande do Sul e promovido com excelência pela escola Louis Braille de Pelotas.

Beto e Simon no palco, em palestra

O evento contou com 300 participantes e apresentou, debateu e promouveu temas relacionados à inclusão das pessoas com deficiência visual na rede de ensino, reiterando a importância da qualificação dos educadores, no sentido de proporcionar acesso pleno do aluno com deficiência a todas as atividades escolares.

Durante minha estada, pude verificar que o seminário alcançou plenamente seu objetivo de promover aperfeiçoamento e um maior contato dos professores das escolas municipais e particulares com a pessoa com deficiência visual, pois para além de inúmeras palestras abordando temas relacionados ao acesso à educação, trabalho, arte, recursos tecnológicos e comprometimento humano, os participantes ainda contaram com diversas apresentações artísticas de alunos cegos, com baixa visão e múltiplas deficiências, além da oportunidade de participar de várias oficinas.

Stando do Laratec, com vários recursos tecnológicos

Aqui, eu poderia me ater ao alto nível de todos os profissionais envolvidos na realização do evento, qualidade dos palestrantes, como também no interesse mostrado por todos os participantes; porém peço licença para destacar a presença constante de crianças, pré-adolescentes e adolescentes atendidos pela escola, que durante todo o evento fizeram inúmeras apresentações e que, com suas famílias, também deram seus testemunhos do quanto a instituição fora e ainda é determinante no processo de inclusão.

“A mesma professora que no primeiro dia de aula me deixou em um canto e não me deu nenhuma atividade foi quem tomou a iniciativa de tornar todas as minhas provas acessíveis, copiando todo o conteúdo de cada uma em um computador para que eu faça com todos os outros alunos.” Afirmou Thiago de 11 anos de idade. Logo em seguida afirmou o pré-adolescente Lucas: “Gosto de estudar, quero vencer, ser alguém na vida, quero ser professor de informática.” Esses foram alguns dos muitos testemunhos que emocionaram e que sobretudo mostraram para a toda a platéia presente que quando existe o respeito à especificidade humana, qualquer limite pode ser superado.

Em todo os eventos dos quais participo, se tem uma coisa da qual não abro mão, é a da oportunidade de travar um diálogo de forma direta e próxima com as pessoas, fato este que me possibilita conhecer sonhos, superações e histórias de vidas, algumas que se aproximam de minha própria história, outras tantas que se diferenciam por suas especificidades; mas cada uma dessas fazem que eu não deixe de acreditar no imenso potencial existente em cada pessoa. Luís Pedro (10 de Idade) é um bom exemplo de que devemos continuar a investir no ser humano, quando segurando minha mão falou: “Viajo com minha avó, 300 km e são 06:00 horas todos os dias na estrada, mas adoro estudar aqui.”

Beto e Simon no palco com crianças interpretando em peça de teatro

Há 11 anos atuando na área de inclusão e acessibilidade, não deixo de me encantar e de me emocionar com algumas particularidades, que nem mesmo as experiências somadas ao longo desses anos de atividades poderiam tornar menores. A oportunidade que tive em compartilhar esses dias de contato com todos da escola Louis Braille de Pelotas, ratificou que qualquer dificuldade enfrentada pode ser superada quando há comprometimento, profissionalismo, e envolvimento entre todos que buscam a superação, inclusão, acesso e respeito ao próximo.

No link abaixo
Veja e escute o que foi o evento


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