Deficiente visual é impedida de fazer prova do Enem
Abaixo, reproduzo uma matéria que nos leva a refletir acerca de a quantas anda essa questão da inclusão, do acesso e do respeito a pessoa com deficiência visual nos estabelecimentos de ensino de nosso país, locais que deveriam ser o berço de bon exemplo para a sociedade.
Será que estou equivocado ao pensar que cabe a cada um de nós enquanto cidadão, atuante em qualquer esfera profissional ou representativa, nos indignar, gritar e cobrar por providências imediatas?
Será que não é passada a hora de apontar, doa a quem doer, algumas “ações de inclusão” apenas teóricas, aplicativos lançados e promovidos que não vão ao encontro das necessidades do cegos de nosso país, encontros de “inclusão” apenas de cunho promocional e que difundem recursos de décadas passadas como se fossem esses a salvação dos pobres ceguinhos Brasileiros?
Ou a sociedade se mobiliza ou tudo o que vem sendo conquistado de pouco ou nada será válido.
Desculpem a maneira um tanto apolítica de tratar as coisas, mas quando o sistema de educação patina no que concerne a inclusão e acesso, é um forte indício de que a situação não está tão bela assim para a pessoa com deficiência quanto algumas pessoas e segmentos querem nos fazer acreditar.
Aqui, do relativo conforto que alcancei na vida, mas a custa de muito choro, suor e por que não sangue, penso quantos outros casos similares ocorrem como esse em cidades menores e que nem chegam ao conhecimento da mídia e por consequência ao nosso e quantos jovens com deficiência visual, ficam na metade do caminho da cidadania, por terem tolhido seus direitos basilares de acesso, inclusão e respeito.
Por favor, leiam abaixo e se forem mais fortes que eu, continuem estáticos.
Deficiente visual é impedida de fazer prova do Enem no Rio Grande do Sul
Estudante queria fazer o exame em braile e não acompanhada de alguém que lesse as questões
Roberto Witter
roberto.witter@gruporbs.com.br
O desejo de ingressar no curso de psicologia da jovem Eduarda Bittencourt Nogueira, 20 anos, deverá ser adiado por mais um ano. Deficiente visual, ela foi impedida de realizar a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) devido à falta de exames em braile. As informações são do clicRBS Rio Grande.
A estudante chegou dentro do horário ao local de prova, no Instituto Estadual de Educação Juvenal Miller, em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul. Nas mãos, ela portava o comprovante de inscrição, que lhe conferia o direito de receber uma prova especial.
Segundo a estudante, que estava acompanhada da irmã e do cunhado, os fiscais de prova informaram que havia testes em braile na escola.
— Eles disseram que não tinha mais provas, mas que eu poderia entrar com outra pessoa, para que lessem a prova para mim e marcassem no cartão de respostas. Mas isso não é o correto. Eu me preparei o ano todo para fazer o teste sozinha. É um direito meu — justifica a estudante.
Eduarda explica que outras três colegas, também deficientes visuais, conseguiram fazer o teste em outros locais de prova do município.
Por telefone, a coordenação do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe), órgão responsável pela distribuição e aplicação das provas, evitou falar sobre o assunto. Segundo Everton Oliveira, coordenador do órgão no Estado, a responsabilidade é do Instituto Nacional de Estudos Educacionais Anísio Teixeira (INEP), que realiza o exame no País.
Fonte:
