quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Falta de acessibilidade na Conferência da Organização Mundial da Saúde

Caros leitores, talvez venho andado meio amargo, mas com algumas situações que tenho acompanhado nos últimos dias, não da para ficar como se tudo isso não dissesse respeito a mim enquanto cidadão e pessoa cega.

Primeiro, são arranjos técnicos com um aplicativo que já existe e de boa qualidade com um outro, do qual o resultado final é no mínimo um tanto duvidoso, depois é o caso da jovem estudante cega Eduarda do Rio grande do Sul, que teve seu direito de fazer o ENEM em Braille negado, a fora um Encontro aqui, outro encontrinho ali e uma ação aqui, outra ali, que nada apresentam de eficácia na realidade de acesso da pessoa cega e com baixa visão. E lá vamos nós!

Há uns 4 dias, tenho já concluído, um post mais alto-astral, dando conta de uma experiência muito positiva que tive na última semana, mas ele vem caindo de pauta, por conta de alguns acontecimentos urgentes e de falta de respeito ao próximo, que demandam serem delatados e suprimidos por irem em sentido contrário a realidade de inclusão e acesso que tanto buscamos para nossa sociedade.

Quero crer que ainda essa semana, divulgue esse post positivo, mas o que trago agora, é uma informação que complementa o artigo escrito por Márcio Aguiar e aqui divulgado no último sábado, acerca da Conferência da OMS.

Você, pessoa com ou sem deficiência. Consegue ver tudo isso? Continuará sentado perante esse tipo de desrespeito? É possível fingir que não está ouvindo? É correto continuar calado perante fatos como esses? Não seria correto empunhar a bandeira do respeito ao próximo? Não é legítimo correr atrás de uma transformação?

Boa leitura!

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Para participar da abertura da Conferência Mundial sobre os Determinantes Sociais de Saúde, que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro de 19 a 21 de outubro no Forte de Copacabana, a deputada alagoana Rosinha da Adefal, presidente da Frente Parlamentar do Congresso Nacional em Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, precisou ser carregada, pois o local no qual o evento foi realizado, não cumpre as normas estabelecidas pela ABNT para acessibilidade arquitetônica.

Realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com o apoio do Governo brasileiro, além de reunir pesquisadores, representantes de movimentos sociais de vários países e autoridades políticas, o evento teve o intuito de estabelecer metas e desenvolver estratégias para a saúde em âmbito internacional.

De acordo com a deputada o evento é importante, pois a troca de idéias é necessária, principalmente sobre a implantação de ações sobre os determinantes sociais da saúde para reduzir as desigualdades. “Acompanhamos o tema, principalmente, no que se refere à plena igualdade a que faz jus a pessoa com deficiência”.

O Forte de Copacabana, local do evento, apesar de ser considerado patrimônio histórico e cultural não é acessível. A deputada alagoana frisou que “existem normas que permitem as adaptações necessárias para o acesso de pessoas com mobilidade reduzida, sem comprometer o patrimônio”. A deputada Rosinha, que é cadeirante, precisou ser carregada para subir os 20 degraus que davam acesso ao local de abertura do evento.

Desde o início do seu mandato, a deputada, preocupada com a condição das mais de 25 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, procura promover a acessibilidade e a plena inclusão da pessoa com deficiência. A deputada ressaltou que “a acessibilidade é um fator determinante à inclusão das pessoas com deficiência. E, infelizmente, não planejaram o evento para que fosse acessível, nem o espaço físico nem a comunicação, pois não havia nem intérprete de Libras nem sinalização em braile”.

Rosinha destacou que a Acessibilidade integra os direitos
“Negá-la, é negar às pessoas com mobilidade reduzida o acesso aos demais direitos sociais”, destacou a deputada.


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