domingo, 20 de maio de 2012

Categoria » Eventos

Matéria Organização dos Cegos do Brasil

Antonio José Ferreira, Presidente da ONCB, conversa com o Blog de Beto Pereira, acerca de Politicas públicas, associações de e para cegos,  Bicentenário de Louis Braille, áudio-descrição e inclusão da pessoa com deficiência visual em breve em entrevista sonora.


SESC Ribeirão Preto realizou palestras de inclusão

O SESC Ribeirão Preto realizou nos dias 21, 22 e 23 de Janeiro diversas oficinas de acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência visual.

Participaram das atividades 20 deficientes associados a ADEVIRP, além de aproximadamente 80 crianças e adolescentes entre sete e 15 anos de idade associadas ao SESC, que em sua maioria, nunca tivera contato direto com um deficiente visual nem recebera quaisquer informações acerca de diversidade e inclusão.

Convidados pelo SESC, os Radialistas Beto Pereira de São Paulo e Luciano Sestari de Taquaritinga, estiveram à frente das oficinas, recebendo os participantes, apresentando recursos e tecnologias, falando de temas relacionados à inclusão da pessoa com deficiência visual na família, sociedade, educação, cultura,
lazer, trabalho e respeito à diversidade humana.

Dentre às atividades, os presentes tiveram a oportunidade de simultaneamente ouvir o conteúdo e sentir pelo tato as figuras em relevo de um livro, aprender na prática como se guia uma pessoa cega e operar computadores apenas pelo som.

“Quando vemos de perto aquilo tudo que o deficiente visual consegue fazer se tiver os recursos certos e o apoio das pessoas, entendemos que todos nós podemos fazer a nossa parte para melhorar para todos, afirma Renan Soares de 15 anos, que após participar da primeira oficina, esteve nas outras 4 como colaborador voluntário juntamente com seu amigo Vitor Vinícius, da mesma idade.

A presença do Cão-Guia Simon, que há dois anos guia Beto por todo o país e pelo Exterior, foi outro ponto marcante para todos os participantes, que no final de cada oficina puderam acariciar como também brincar com o Labrador de quatro anos.

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“Entrar no universo dessas crianças e adolescentes para falar das coisas mais básicas até as mais complexas, como por exemplo, como uma mulher cega faz para se maquiar e escolher as roupas, um homem cego consegue se barbear ou uma pessoa com deficiência se estabelece no mercado de trabalho, é muito prazeroso, pois a receptividade com que e interagem conosco, deixa claro que caminhamos para uma sociedade mais atenta e justa”, concluem os palestrantes.


Bicentenário de Nascimento de Louis Braille

Quarenta e seis países, cinco continentes representados, + quase quinhentos participantes.  Estes são os números mais significativos do Congresso comemorativo do Bicentenário de Nascimento de Louis Braille, realizado na sede da UNESCO em Paris, no período de 4 a 8 de janeiro de 2009, numa promoção da Associação Valentin Auhy, da União Mundial de Cegos e do Comitê Internacional de Comemoração do Bicentenário de Loís Braille, entre outros organismos.

O inverno rigoroso da França não abrandou o calor das homenagens dedicadas ao genial inventor  da escrita em relevo. Na programação cultural, destacaram-se a missa celebrada na capela do Instituto Nacional dos Jovens Cegos, Inja, assim como o magistral concerto, na catedral de Notre Dame,  onde o organista cego Jean Pierre Legay nos apresentou  as múltiplas nuances do órgão, marcando assim mais uma homenagem àquele que, ao seu tempo, também fora organista.

O congresso em si foi considerado de alto nível pela unanimidade dos participantes. Mesas redondas, oficinas, depoimentos, marcaram a programação oficial, a qual abordou os vários aspectos da escrita Braille.

Perspectivas do Braille no mundo, o Braille e a informática, o sistema Braille e a pesquisa científica, o Braille e as suas várias aplicações, compuseram entre outros, o temário geral do congresso.

Conhecer a história e o uso prático do Braille nos diversos continentes, envolvendo a europa, países da África, países árabes e Japão foi uma experiência de muito aprendizado para os participantes do Congresso.

Constatou-se que, em todo o mundo, A discussão sobre a unificação do braille, buscando-se um Braille universal, ainda que respeitando-se a diversidade lingüísticade cada país, continua sendo um tema da ordem do dia em todos os continentes.

A vitalidade da escrita Braille, o seu caráter de modo de escrita insubstituível, mesmo no século XXI, marcado pelo forte impacto das tecnologias em todas as esferas sociais, foi outra questão acentuada pelos diversos conferencistas.

Resoluções

A tarde do dia sete de janeiro, marcou o encerramento da programação oficial do Congresso, quando foram aclamadas e aprovadas as seguintes resoluções:

- Buscar o apoio da União Mundial de Cegos, para o fomento e a garantia do ensino do Braille a crianças cegas e deficientes visuais em idade escolar cada

vez mais precoce, e, de acordo com as necessidades de cada educando;

- Empreender gestões junto à União Mundial de Cegos, a fim de que seja reinstaurado o Conselho Mundial do Braille,com o fim de se unificar todos os elementos do sistema Braille, assim como os diversos códigos do mesmo, na medida em que tal unificação seja conveniente e factível;

- Empreender esforços junto à União Mundial de Cegos, a fim de que seja publicada uma terceira edição da obra “O Braille no Mundo”, através de entidade que disponha de recursos materiais e humanos adequados para a realização do empreendimento;

- Empreender gestões junto à Unesco, para que, conjuntamente com a UMC, promovam conferência internacional com vistas à implementação do processo de unificação do sistema Braille;

- Empreender gestões junto à UMc, a fim de que promova a utilização do Braille em logradouros públicos, sinalizações, bem como nos diversos produtos industriais e de consumo.

A Casa de Louis

O dia oito de janeiro foi reservado à visita dos congressistas, à aldeia de Couprvay, onde nasceu Louis Braille, e à residência do inventor, convertida agora em museu.

Preservada e cuidada, a casa de Louis Braille pode ser considerada como uma espécie de templo, um templo guardando seu relicário, como os livros onde o menino estudou, seus certificados escolares, as ferramentas de trabalho do pai, e até o instrumento ponteagudo que causou o acidente do menino aos três anos, promovendo a sua cegueira.

Percorrer a casa, caminhar pelo jardim coberto de neve,  nos envolve num misto de emoções tão intensas que seria difícil traduzir em palavras. De algum modo, pode-se compreender o sentimento de quase todos os congressistas, que, ao falarem de Luís Braille, era como se falassem de uma pessoa íntima, de um irmão muito querido.

Não foi à toa que, pontuando o sentimento de todos, em seu discurso de encerramento do Congresso, William Rowland, ex presidente da União Mundial de Cegos, falou a Louis Braille como se falasse a um irmão de todas as coletividades cegas do mundo.

Artigo autorizado

Livre tradução do espanhol para português por Joana Belarmino – jornalista e professora do curso de Comunicação e Turismo da Universidade Federal da Paraíba.