Quarenta e seis países, cinco continentes representados, + quase quinhentos participantes. Estes são os números mais significativos do Congresso comemorativo do Bicentenário de Nascimento de Louis Braille, realizado na sede da UNESCO em Paris, no período de 4 a 8 de janeiro de 2009, numa promoção da Associação Valentin Auhy, da União Mundial de Cegos e do Comitê Internacional de Comemoração do Bicentenário de Loís Braille, entre outros organismos.
O inverno rigoroso da França não abrandou o calor das homenagens dedicadas ao genial inventor da escrita em relevo. Na programação cultural, destacaram-se a missa celebrada na capela do Instituto Nacional dos Jovens Cegos, Inja, assim como o magistral concerto, na catedral de Notre Dame, onde o organista cego Jean Pierre Legay nos apresentou as múltiplas nuances do órgão, marcando assim mais uma homenagem àquele que, ao seu tempo, também fora organista.
O congresso em si foi considerado de alto nível pela unanimidade dos participantes. Mesas redondas, oficinas, depoimentos, marcaram a programação oficial, a qual abordou os vários aspectos da escrita Braille.
Perspectivas do Braille no mundo, o Braille e a informática, o sistema Braille e a pesquisa científica, o Braille e as suas várias aplicações, compuseram entre outros, o temário geral do congresso.
Conhecer a história e o uso prático do Braille nos diversos continentes, envolvendo a europa, países da África, países árabes e Japão foi uma experiência de muito aprendizado para os participantes do Congresso.
Constatou-se que, em todo o mundo, A discussão sobre a unificação do braille, buscando-se um Braille universal, ainda que respeitando-se a diversidade lingüísticade cada país, continua sendo um tema da ordem do dia em todos os continentes.
A vitalidade da escrita Braille, o seu caráter de modo de escrita insubstituível, mesmo no século XXI, marcado pelo forte impacto das tecnologias em todas as esferas sociais, foi outra questão acentuada pelos diversos conferencistas.
Resoluções
A tarde do dia sete de janeiro, marcou o encerramento da programação oficial do Congresso, quando foram aclamadas e aprovadas as seguintes resoluções:
- Buscar o apoio da União Mundial de Cegos, para o fomento e a garantia do ensino do Braille a crianças cegas e deficientes visuais em idade escolar cada
vez mais precoce, e, de acordo com as necessidades de cada educando;
- Empreender gestões junto à União Mundial de Cegos, a fim de que seja reinstaurado o Conselho Mundial do Braille,com o fim de se unificar todos os elementos do sistema Braille, assim como os diversos códigos do mesmo, na medida em que tal unificação seja conveniente e factível;
- Empreender esforços junto à União Mundial de Cegos, a fim de que seja publicada uma terceira edição da obra “O Braille no Mundo”, através de entidade que disponha de recursos materiais e humanos adequados para a realização do empreendimento;
- Empreender gestões junto à Unesco, para que, conjuntamente com a UMC, promovam conferência internacional com vistas à implementação do processo de unificação do sistema Braille;
- Empreender gestões junto à UMc, a fim de que promova a utilização do Braille em logradouros públicos, sinalizações, bem como nos diversos produtos industriais e de consumo.
A Casa de Louis
O dia oito de janeiro foi reservado à visita dos congressistas, à aldeia de Couprvay, onde nasceu Louis Braille, e à residência do inventor, convertida agora em museu.
Preservada e cuidada, a casa de Louis Braille pode ser considerada como uma espécie de templo, um templo guardando seu relicário, como os livros onde o menino estudou, seus certificados escolares, as ferramentas de trabalho do pai, e até o instrumento ponteagudo que causou o acidente do menino aos três anos, promovendo a sua cegueira.
Percorrer a casa, caminhar pelo jardim coberto de neve, nos envolve num misto de emoções tão intensas que seria difícil traduzir em palavras. De algum modo, pode-se compreender o sentimento de quase todos os congressistas, que, ao falarem de Luís Braille, era como se falassem de uma pessoa íntima, de um irmão muito querido.
Não foi à toa que, pontuando o sentimento de todos, em seu discurso de encerramento do Congresso, William Rowland, ex presidente da União Mundial de Cegos, falou a Louis Braille como se falasse a um irmão de todas as coletividades cegas do mundo.
Artigo autorizado
Livre tradução do espanhol para português por Joana Belarmino – jornalista e professora do curso de Comunicação e Turismo da Universidade Federal da Paraíba.