domingo, 20 de maio de 2012

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Cão-guia Simon faz aniversário de 8 anos

Olá amigos leitores, nesse post, quero falar de um serzinho que há 6 anos vem fazendo a diferença em minha vida; mas antes, gostaria de contar rapidamente minha história em relação a mobilidade, para chegar na homenagem a Simon.

Com 13 anos de idade, em plena adolescência e perdendo o pouco de visão que tinha, passei a utilizar-me da bengala. Confesso, tentei resistir o quanto pude, pois no meu entendimento “aborrecesnte” da época, estava certo que a partir de ali, seria simplesmente o ceguinho da turma, ou seja, aquele que despertaria pena, quando não, afastaria pessoas de mim.

Diferentemente do que imaginava e mais uma vez contando com o apoio na medida certa de meus pais, que mais tarde vim a saber que me seguiam escondidos para constatar como me saía nessas novas aventuras com minha bengala, em poucas semanas notei que ao contrário de me afastar das pessoas, aquele instrumento me aproximava e mais que tudo, me oferecia algo determinante: condições de ir até elas, a possibilidade de superar barreiras e a independência imprescindível no ir e vir.

Assim, durante muitos anos, ali sempre esteve ela, a bengala: nas aventuras com as namoradinhas da adolescência, os finais de semana agitados fora de casa, no curso de rádio e TV, na saída de minha casa para morar em outro estado, o primeiro segundo e outros empregos e em tantos fatos de minha vida, muitos alegres, outros nem tanto.

Por algumas vezes, me falavam de um tal de cão-guia, e de toda a agilidade que oferecia para a pessoa cega, mas sinceramente o tema nunca chamara de fato minha atenção e honestamente falando, despertava em mim alguma resistência, pois na falta do mínimo conhecimento do assunto, imaginava coisas como do quanto seria desgastante para o animal,da falta de eficácia da utilização desse meio, e que seria um método impraticável ao meu estilo e ritmo de vida.

Certa vez quando ainda era menino, ouvi algo do tipo que ser sábio não é ter a mesma posição acerca de um tema a vida toda e sim saber esmiuçar o novo e se nele encontrar razões palpáveis, não ter medo de adotá-lo para si. Em relação ao tema cão-guia, foi justamente isso que ocorrera comigo.

Através do contato próximo com algumas pessoas que acabavam de retornar do EUA com seus companheiros de 4 patas, da visita que fiz ao centro de treinamento de cães em Brasília na época da novela América e finalmente minha participação ao vivo em um programa de TV apresentado pela Monique Evans no qual eu falaria acerca da bengala enquanto a advogada Thaís Martinez do cão-guia, fizeram com que eu dedicasse algumas semanas pesquisando acerca do tema que acabou por resultar em uma mudança de opinião e no despertar do desejo de também contar com um ser como esse para ser a luz de meus olhos e meu grande companheiro.

Assim me inscrevi em algumas escolas, e em setembro de 2006, recebi do instituto IRIS, a ótima notícia que eu era um dos quatro selecionados a compor a 1ª turma de cegos Brasileiros a fazer parte de uma parceria com a escola Americana Leader Dog e a viajar para o EUA para passar por um período de capacitação e receber o já tão esperado cão-guia.

Foi dessa forma que Simon surgiu em minha vida, e hoje é um serzinho indispensável, não apenas pelo tanto que otimiza meu ir e vir com mais segurança e autonomia, mas pelo companheirismo, dedicação e respeito que servem de lição para muitos humanos chamados de racionais.

Ao iniciar esse post falando do apoio recebido de meus pais, de minha resistência em utilizar a bengala, e depois do quanto esse instrumento fora fundamental em minha vida, estou certo que quando de fato assumimos nossa identidade, nos tornamos mais fortes para superar as barreiras e chegar onde desejamos e da forma que desejamos.

Quando me perguntam qual é o melhor meio para mobilidade se o cão-guia ou a bengala, enfatizo a importância que a bengala teve em meu processo de autonomia, que é o meio mais viável para a mobilidade de milhões de pessoas cegas que a utilizam e que me possibilitou chegar até aqui. Contudo, não posso deixar de falar do quanto o cão-guia facilitou minha vida no que concerne a acessibilidade, mobilidade e toda assertividade no ir e vir, pois hoje, nas viagens que faço por todo o Brasil e exterior falando de inclusão, acessibilidade e respeito à diversidade humana ou simplesmente curtindo um lazer, já que as namoradinhas e as baladas mudaram um pouquinho, ali está ele, firme e forte e sempre presente como um grande protagonista e indispensável no meu cotidiano.

Hoje, o cão-guia Simon completa 8 anos de idade e por tudo que representa de positivo em minha vida, aquilo o que eu tentar escrever aqui, será pouco para expressar meu carinho, respeito e minha gratidão a esse ser que no frio ou no calor, no sol ou na chuva, nas horas alegres e difíceis da vida, vem mostrando o verdadeiro sentido das palavras companheirismo e cumplicidade.

Já quase um tiozão e entrando em sua reta final no compromisso de guiar-me, Simon representa um amigo de quatro patas que veio agregar ainda mais qualidade de vida em meu dia-a-dia e um verdadeiro exemplo de dedicação, na qual a comunicação é quase telepática e a troca é espontânea e magicamente igualitária.

A você Simon, amigo de quatro patas que ao longo do caminho vem somando seus passos aos meus, minha eterna gratidão e o compromisso que você sempre estará comigo.

Em tempo, seria injusto falar do quanto esse cãozinho é importante em minha vida, sem agradecer algumas pessoas como aos amigos Thaís Martinez, José Santos, Moises Jr, Lester, José Otávio Pinto e através deles cada um de vocês amigos e leitores, que de forma direta ou indireta fazem parte disso tudo e é justamente por isso que convido a todos para comigo cantar um parabéns bem forte para essa criaturinha linda que tem cumprido de forma tão brilhante o papel de companheiro e de guia.

Parabéns Simon!


Instituto Ires, entregará mais 3 cães-guias

Três Brasileiros partem para os Estados Unidos em busca de cães-guias treinados pela Leader Dogs for the Blind

Em parceria com o Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social (IRIS), os deficientes visuais José Carlos Rodrigues, Maria Rita de Paiva Souza e Maria Rosa Delmasso Rodrigues viajam para os Estados Unidos, nesta quinta-feira (26/4), para buscar cães-guias treinados pela Leader Dogs for the Blind. O trio passará por um processo de capacitação intensiva para se adaptar a uma nova rotina, ministrado pelo instrutor técnico do IRIS, Moisés Vieira dos Santos Júnior – um dos poucos brasileiros credenciados pela International Guide Dog Federation. As aulas serão em português.

Desde 2009, o IRIS não envia brasileiros para a Leader Dogs for the Blind por
falta de patrocinadores. Hoje, o Brasil possui 1,2 milhão de pessoas com deficiência visual e pouco mais que 70 cães-guia. A fila de espera por um cão-guia no IRIS é de
mais de 3 mil pessoas.

O Dia Internacional do Cão-Guia, que em 2012 será celebrado em 25 de abril, terá um significado especial para três deficientes visuais brasileiros. A data é anterior à esperada viagem a Michigan, nos Estados Unidos, para a realização de um sonho – buscar um cão-guia treinado pela Leader Dogs for the Blind. Com organização do Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social (IRIS), parceiro no Brasil da entidade norte-americana, José Carlos Rodrigues, Maria Rita de Paiva Souza e Maria Rosa Delmasso Rodrigues se preparam para uma temporada de 26 dias de capacitação destinada a adaptá-los a uma nova rotina. Nesse período, o instrutor brasileiro Moisés Vieira dos Santos Júnior irá ministrar aulas, em português, que incluem conhecimentos sobre cuidados diários com os cães, trajetos (em cidades e zona rural) e condução. Todo o treinamento será feito nas dependências da Leader Dogs for the Blind, em Rochester, Michigan. O instrutor é um dos poucos no Brasil a ser reconhecido pela International Guide Dog Federation.

José Carlos, Maria Rita e Maria Rosa sabem que são uma exceção à regra de exclusão. Embora o Brasil possua cerca de 1,2 milhão de pessoas com deficiência visual, há pouco mais de 70 cães-guias circulando nas ruas brasileiras. Desde 2009, o IRIS não envia brasileiros para a Leader Dogs for the Blind por falta de recursos financeiros; na fila de espera da ONG há mais de 3 mil pessoas aguardando um cão-guia.

O trio estará no Aeroporto Internacional de São Paulo Governador André Franco Montoro, em Guarulhos, na quinta-feira, 26 de abril, a partir das 18 horas. Na ocasião, a direção do IRIS fará uma mobilização com entrega de panfletos para chamar atenção para a causa. O Dia Internacional do Cão-Guia é comemorado anualmente na última quarta-feira do mês de abril.

Fundada em 1939 por três integrantes do Lions Club, a Leader Dogs for the Blind oferece cães-guia a pessoas com deficiência visual, tendo por objetivo melhorar a mobilidade, independência e qualidade de vida. Todos os anos, mais de 250 participantes são assistidos pelo programa de capacitação – composto por treinamento intensivo por um período de 26 dias nas dependências da organização, em Rochester Hills, Michigan (Estados Unidos) – para que possam se adaptar com o cão-guia. Única instituição do Hemisfério Ocidental a capacitar deficientes visuais e surdos para atuar com cão-guia, a Leader Dogs ministra, também, cursos destinados a melhorar a qualidade de vida da pessoa com deficiência visual: mobilidade acelerada, capacitação para o uso do Trekker GPS, cursos de computação e seminários com especialistas em mobilidade. Com investimentos de empresas e voluntários, a Leader Dogs for the Blind conta com instalações compostas por residências para os hóspedes, centro de treinamento de cães-guias (Downtown Training Center), canil com capacidade para 310 animais e clínica veterinária.
www.leaderdog.org

O Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social (IRIS), entidade sem fins lucrativos, foi fundado em 2002, em São Paulo (SP), com a missão de desenvolver atividades que acelerem o processo de inclusão social das pessoas com deficiência visual. A prioridade institucional é a difusão do cão-guia como grande facilitador do processo de inclusão. O Instituto é um dos poucos no Brasil com um instrutor reconhecido pela International Guide Dog Federation (Inglaterra), especialmente qualificado pela Royal New Zealand Foundation for the Blind – Guide Dog Services (Nova Zelândia) entre 1996 e 1999.

WWW.iris.org.br


ONCB SP, realizou processo eletivo para delegado e suplente

Na última semana, mas precisamente no dia 10 do mês de abril, realizou-se na sede da Laramara, Rua Conselheiro Brotero, 353 – Bairro Barra Funda São Paulo – SP, o fórum estadual da ONCB, a fim de deliberar acerca de minha substituição ou recondução ao cargo de delegado eleito em 2010, eleger um segundo suplente, bem como de ainda tratar de questões concernentes à atuação do estado de São Paulo no movimento de pessoas com deficiência visual de nosso país.

Na oportunidade, tive a alegria de ser reconduzido por unanimidade ao cargo de delegado por mais 02 anos, e de ter eleito também por unanimidade como meu suplente o jovem Wesley Gamaliel Bueno de Almeida Muller.

Agradeço aos militantes pela confiança a mim dispensada e o trabalho continua, sempre em busca de um movimento representativo da pessoa com deficiência visual, cada vez mais atuante e forte.