domingo, 5 de fevereiro de 2012

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Mídia x inclusão e acessibilidade

Os amigos leitores que por aqui passam de forma mais constante bem sabem que frequentemente estou envolvido em ações midiáticas em TVS, rádios, jornais, revistas e outros, geralmente, versando acerca da inclusão, acessibilidade e respeito à diversidade humana. Já aqueles que tiveram a oportunidade de assistir minhas palestras sobre protagonismo da pessoa com deficiência me ouviram falar acerca da importância de nos apropriarmos de forma ética dessa mesma mídia, no sentido de fazermos com que a informação concernente a realidade das minorias chegue de forma correta até a sociedade, já que tais meios de comunicação, geralmente propagam a exclusão, criam tendências, determinam modelos ideais e não raramente causam uma sensação de incompletude intelectual, econômica, social ou estética.

Ontem (13/12/2011), coincidentemente a 5 anos exatos da aprovação do texto final da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, recebi o convite de uma agência publicitária para ser a personagem de uma peça de uma campanha de uma montadora de veículos. Como sempre faço, antes de qualquer coisa, solicitei informações acerca do roteiro e objetivo da campanha para assim analisar se era ou não de meu interesse participar, quando a empolgada publicitária começou a discorrer sobre a inovadora sacada de marketing, a qual em primeira mão compartilho com todos vocês:

“Um homem sego, caminha por uma movimentada calçada. Pessoas passam rapidamente por ele, quase o derrubando. Na mesma sequência, o “protagonista” se depara com dejetos, quase cai em um bueiro, é colhido por um skate e se não bastasse tanta desgraça de uma só vez, também quase é atropelado por uma bicicleta.” No desfecho da peça, surge a pergunta e reflexão: “Isso tudo não parece perigoso para você? Quando você fala no celular ou manda SMS quando está ao volante, Corre o mesmo risco.”

É claro que aceitar a proposta para gravar tal comercial em muito colaboraria economicamente com as festas e minhas férias de fim e início de ano, mas, sobretudo iria de encontro com minha experiência e discurso acerca da inclusão da pessoa cega e com baixa visão; minhas convicções nunca estiveram à venda. Assim, agradeci o convite, falei que pessoalmente penso que a idéia não seja de bom tom e que desta forma prefiro me abster de gravar, não sem antes tentar passar algumas orientações acerca do cotidiano da pessoa com deficiência visual e de uma abordagem mais positiva, que certamente não serão consideradas.

É quase certo que outra pessoa cega que pense diferente e que motivada por suas necessidades e razões pessoais venha a aceitar tal trabalho – e a mim caberá respeitar. Porém, não posso deixar de expressar e de compartilhar com todos vocês minha frustração com o fato que, infelizmente, em muitas situações, pessoas com deficiência ainda são exibidas em uma vitrine e que conceitos equivocados continuem caindo como referência no senso comum, indo de encontro a tudo que fora conquistado ao longo da história da pessoa cega ou com baixa visão. De minha parte, continuo acreditando que caiba a cada um de nós, desempenhar o papel de agentes de transformações sociais e de transformação do discurso em prática.

Nas Ciências Sociais, alguns autores afirmam que a mídia é o olhar do olhar do outro, aquilo que é captado pelo olhar das câmeras. No caso em tela, penso que não seria equivocado acrescentar que também é ela, o meio que desfoca o cotidiano e a potencialidade de diversos seguimentos de pessoas.

Em tempo, reconheço a importância de qualquer campanha de conscientização, sobretudo quando se fala em trânsito, em um país no qual anualmente milhares de pessoas perdem suas vidas ou ficam com sequelas. Também reconheço que como pessoas com deficiência visual, comumente nos deparamos com algumas barreiras atitudinais e urbanas, e que quase sempre tiramos todas elas de letra; mas colocar todas essas dificuldades em um único pacote e apresentar de forma equivocada, em nada acrescenta enquanto informação real para a sociedade.

Por Beto Pereira


Participamos de evento em Criciúma

Foi com muita alegria que participei do Primeiro Seminário Catarinense de Tecnologia, Inclusão e Acessibilidade, nos dias 02, 03 e 04 de dezembro nas dependências do Instituto Federal de Santa Catarina / Campus
Criciúma.

Realizado Pela Associação Sul Catarinense de Cegos – ASCC, o evento, teve por objetivo, compartilhar experiências acerca de
protagonismo, tecnologias assistivas e a Convenção de Direitos das Pessoas
com Deficiência.

Minha participação ocorreu em duas oportunidades, sendo a primeira no
pré-evento, no qual ministrei uma palestra para 80 jovens acerca de
deficiência visual, tecnologias e respeito à diversidade humana, e a segunda
acerca das instituições, tecnologias e do protagonismo da pessoa cega e com
baixa visão para 90 participantes com e sem deficiência visual de várias
cidades e estados da região sul e sudeste.

Como em todas minhas apresentações, utilizei-me do recurso de
audiodescrição, (Narração sonora de cenas visuais), que possibilitou que as pessoas cegas tivessem acesso completo ao material visual apresentado e que aquelas que enxergam, conheçam o quanto é fundamental gerar tal acessibilidade em eventos e outros.

Levar para municípios mais afastados dos grandes centros uma abordagem fundamentada na perspectiva da prática e do protagonismo, empoderamento e da necessidade de auto-apropriação de informação, conhecimento e de direitos e deveres da pessoa com deficiência no atual contexto social, é provocar reflexão, quebrar paradigmas, mexer com as estruturas e com as conveniências e acomodações de alguns seguimentos e Pessoas, porém , penso ser desse “choque” e desse amplo debate e diálogo democrático que somado a experiência, ética e ao respeito a diversidade dentro da própria diversidade, que nos tornamos cada vez mais fortes.

Em uma de minhas falas, não pude deixar de compartilhar com todos, a minha grande alegria em participar de um evento promovido pelo Jovem Leonardo Apolinário de 20 anos, que sete anos atrás, com 13 de idade, me visitou pela primeira vez na
Laramara, a fim de buscar seus primeiros conhecimentos sobre inclusão, acessibilidade e tecnologias para pessoas com deficiência visual e hoje mostra-se um grande líder regional.

Assista ao vídeo


Evento comemora 3 décadas do ano internacional da pessoa com deficiência

Na última quinta-feira (20 de novembro), estivemos na abertura do Seminário em comemoração dos 30 anos do ano Internacional das Pessoas Deficientes, declarado pela ONU em 1981.

O evento, promovido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência – São Paulo, com o apoio institucional da representação do sistema da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil, ocorreu de 17 a 19 de novembro na cidade de São Paulo

O seminário reuniu ativistas e especialistas em deficiência do Brasil e do Exterior para compartilhar as memórias e histórias que marcaram os 30 anos de lutas e conquistas da pessoa com deficiência de nosso país, de forma a analisar o passado e presente, e assim transmitindo um legado para as lideranças futuras.

Além da Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Doutora Linamara Rizzo Battistella, a Deputada Estadual Célia Leão, a ex-Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Izabel Maria Madeira Maior, a fundadora e a presidente da Feira Hospitalar, Waleska Santos, e o assessor especial do governador Geraldo Alckmin da Assessoria Especial para Assuntos Internacionais, Rodrigo Tavares, dentre muitas outras personalidades atuantes, marcaram presença no evento.

Atualmente o Brasil conta com mais de 45 milhões de pessoas com deficiência sendo que 9 milhões se situam no estado de São Paulo, segundo dados do último censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Dra. Linamara Rizzo Battistella, destacou a importância dos protagonistas e militantes pela inclusão, ao longo das últimas décadas, reverenciando os que de alguma forma contribuíram para as conquistas recentes, entre as quais a criação, em 2008, da própria Secretaria de Estado de São Paulo, a primeira de âmbito estadual a atender o segmento de pessoas com deficiência.

Foram convidados 30 ativistas pela causa da pessoa com deficiência, que apresentaram o painel “30 anos em 300 minutos”, e além de receberem uma placa, cada um deles gravou um depoimento de 10 minutos.

Um dos muitos momentos marcantes da programação foi o lançamento do livro “Mude o seu olhar que eu mudo o meu ouvir”, escrito por autores com síndrome de Down, que estavam presentes distribuindo autógrafos. A emoção se estendeu para o encerramento final, quando o maestro João Carlos Martins fechou a noite do dia 19, com chave de ouro, com execuções ao piano e violino, com membros de sua Orquestra Filarmônica Bachiana.