Cão guia
O texto abaixo não tem por pretensão divulgar informações técnicas acerca do cão-guia, senão passar algumas informações e dicas básicas que adquiri durante o processo de obtenção de meu parceiro Simon, um Labrador de cinco anos.
—————-
O cão-guia é uma alternativa ao uso da bengala e apresenta uma série de vantagens em relação a esse instrumento, proporcionando maior segurança, independência e liberdade. Ele:
• garante maior velocidade e desenvoltura na locomoção, já que é capaz de se antecipar aos obstáculos, guiando seu usuário pelo melhor caminho;
• desvia de obstáculos aéreos, tais como galhos de árvores e telefones públicos, que não podem ser detectados pela bengala, e auxilia na travessia de ruas;
• encontra importantes pontos de referência, como escadas, portas, elevadores, cadeiras, etc;
• facilita a inclusão social de seu usuário, pois tem o poder de aproximar as pessoas.
O trabalho de um cão-guia requer habilidade e dedicação. Os cães devem evitar distrações, tais como ruídos; cheiros interessantes ou incomuns; animais e pessoas a fim de se concentrar na tarefa de guiar.
O processo de preparação de um cão-guia num centro de treinamento para ser entregue ao seu usuário leva em média um ano e seis meses e passa pelas seguintes etapas:
• realização de exames clínicos e avaliação de sensibilidade e aptidão física;
• período de estada com família socializadora, participando de todas suas atividades;
• retorno ao centro de treinamento para aprimoramentos específicos das atividades do dia-a-dia;
• apresentação a seu futuro usuário deficiente visual, treinamento intensivo e adaptação ao seu dia-a-dia.
As três principais raças de cães-guias são: Labrador, Golden Retriever e um cruzamento dessas. Em todas são encontradas as mesmas características básicas: temperamento disposto e estável; tamanho e peso saudáveis e pêlos fáceis de tratar.
Encontrando um Cão-guia
• É tentador querer acariciar um cão-guia, mas lembre-se que este cão é responsável por conduzir alguém que não enxerga. O cão nunca deve ser distraído desse dever. A segurança do dono depende do estado de alerta e concentração do cão.
• Não tem problema em perguntar se pode acariciar o cão-guia. Muitos usuários gostam de fazer a socialização quando têm tempo. Porém, a principal responsabilidade do cão é o seu usuário cego.
• Nunca deve ser fornecido alimento ou outras coisas que distraiam um cão-guia. Os cães são alimentados seguindo programação e dieta específicas a fim de mantê-los em boas condições de saúde. Os cães-guia são treinados a resistir ofertas de alimentos para poder entrar em restaurantes sem ficar implorando por comida.
• Embora os cães-guia não possam ler sinais de tráfego, são responsáveis em ajudar seus usuários a cruzar a rua com segurança. Porém, chamar um cão-guia,
buzinar intencionalmente ou obstruir seu trajeto pode gerar incidentes para a dupla. Nos cruzamentos, ofereça auxílio ao usuário informando quando o farol estiver vermelho.
• A vida do cão-guia não é somente trabalho. Quando não está com a coleira, é tratado da mesma maneira que animais de estimação. Entretanto, para sua própria segurança, é permitido brincar apenas com brinquedos específicos.
• Cães soltos nas ruas representam um dos maiores perigos à integridade dos cães-guia e seus usuários.
• De tempos em tempos, um cão-guia comete possíveis erros e é corrigido verbal e fisicamente através de sua correia, a fim de manter seu treinamento. Os usuários utilizam métodos apropriados de correção de seus cães, por isso não estranhe.
