É fato que estamos caminhando, até de certo modo, a passos largos no que concerne a construção de uma sociedade mais atenta, justa e cumpridora dos direitos das pessoas com deficiência.
Estas conquistas ocorrem por conta de cada um de nós, que em não raras vezes, nos deparamos com pessoas desinformadas e preconceituosas, e por instituições e movimentos representativos de pessoas com deficiência, que através de um trabalho sério, derrubam barreiras arquitetônicas e ou atitudinais, porém o caso abaixo mostra que ainda temos muito por fazer. O que passo a relatar não ocorreu em um passado distante, mas no dia 29 de julho do corrente ano.
Assim, quero compartilhar com os leitores e denunciar um caso de discriminação ao qual fui submetido por conta de minha deficiência visual e sobretudo, por fazer acompanhar-me de um cão-guia e assim, por conseguinte, o desrespeito à portaria 11.126/05 regulamentada pelo decreto 5.904/06.
O fato ocorrido se deu quando através de contato telefônico, tentei efetuar uma reserva com o hotel Plaza Cascavel, sito à Rua Sete de Setembro, 3055, Centro, CEP 85810-090 – Cascavel – PR, cujo número de telefone é: (45) 3225-4222.
Na oportunidade, consultava o estabelecimento acerca de apartamentos, valores e existência de vagas de 4 diárias entre os dias 08 a 12 de outubro do corrente ano, período em que será realizado no supracitado município o 13º Encontro Brasileiro de Usuários de Dosvox, evento este que receberá pessoas cegas e com baixa visão de todo o Brasil.
Valores, data e condições acordados para a reserva e pouco antes do fechamento de tal, fui indagado pelo atendente que se identificara como Genilson, se eu era cego e se faria acompanhar-me de cão-guia ao que prontamente respondi que sim, era cego e que possivelmente estaria com Simon, um Labrador de 06 anos, que me acompanha em viagens pelo Brasil e exterior, quando nesse instante, o mesmo atendente solicitara um momento, e ao retornar, agora dizia não mais haver as vagas que até então estavam disponíveis, ficando clara a má fé e a restrição ao acesso de usuários cegos acompanhados de Cão-Guia.
Falei acerca da legislação vigente e me coloquei a disposição para esclarecer caso houvesse alguma dúvida, sem contudo ter um retorno razoável do atendente, fato este que não me dera outra opção se não a de alertá-lo que eu constataria e registraria a discriminação e que tomaria as medidas legais cabíveis, seja em âmbito pessoal e/ou coletivo.
Cerca de 10 minutos após a vaga me ser negada, retornei a ligação telefônica e sem me identificar como participante do evento Dosvox, como cego e como usuário de Cão-Guia, falei com o senhor Casa Grande, que se identificou como proprietário do hotel, e sem nenhum problema, fiz reserva da vaga para o mesmo período que me fora negado minutos antes, ficando assim explícito o preconceito dos atendentes do estabelecimento para com pessoas com deficiência.
Em tempo, cabe informar que exceto o 1º contato telefônico, tanto o 2º como o 3º foram por mim gravados, para ações futuras, ficando os interlocutores, devidamente informados a respeito da gravação para que pudessem esclarecer possíveis mal-entendidos, fato que ao meu ver não ocorrera na tentativa de diálogo que busquei promover.
Isso exposto, e para que os muitos deficientes visuais que estarão na cidade de Cascavel a fim de participar do 13º Encontro Brasileiro de Usuários de Dosvox bem como de atividades turísticas não sejam constrangidos e submetidos a mesma humilhação à que fui, solicito aos amigos leitores que dediquem alguns minutos de sua atenção para ouvir as gravações disponibilizadas nos links abaixo, bem como que me auxiliem repassando este relato para vossos contatos, para que juntos possamos dar ciência do tratamento do Hotel Plaza Cascavel para com seus hóspedes.
Como medidas, informei a organização do Encontro Dosvox de Cascavel, acerca do ocorrido, disponibilizando inclusive a gravação naqual o hotel a responsabiliza pela falta de informação. Já em seguida, demos ciência ao Ministério Público do Paraná sobre o despreparo do hotel e estou em vias de acionar o juizado de pequenas causas.
Sou pelo diálogo, pela orientação, informação e colaboração, porém quando esses meios não surtem resultados, não protelo em fazer valer meus direitos de pessoa que trabalha, consome, paga seus impostos e que exige ser respeitado como cidadão.